17 ago
2014

O suicídio de Robin Williams…

Wellington Balbo – Bauru SP

 O suicídio do ator Robin Williams deixa a mostra esse flagelo que se chama suicídio. É um assunto grave, sério e que infelizmente não é corriqueiro. O número de pessoas que exterminam a própria vida todos os dias em nosso planeta é imensurável. Sim, imensurável porque não se tem todos os registros de pessoas que pedem demissão da vida, porquanto dados são escamoteados. 

E para ajudar  mídia e sociedade tratam de atirar o tema para debaixo do tapete não o abordando com a seriedade devida, ocultando estimativas a viver num mundo de ilusões… Entendem que falar sobre o suicídio gerará suicídios em massa. Entretanto, consideremos que há formas e formas de abordar o tema. É a informação sobre alguma coisa que abrirá os olhos das pessoas para saberem onde estão pisando.

Portanto, desnecessário falar sobre suicídio mostrando como as pessoas se auto-exterminariam, fazendo sensacionalismo, mas fundamental falar sobre como superar os dilemas existenciais, real causa do suicídio. Jesus ensinou: “No mundo tereis aflições”. É bem por ai. Devemos entender que a vida na Terra tem seus altos e baixos, dias que são noites chuvosas e densas. São as aflições a que Jesus se referiu. Nem só de alegrias se faz nossa existência e saber disso já é um bom caminho percorrido para não se desesperar diante dos problemas.

Enfermidade, grana curta, o amor que nos abandonou, o familiar que partiu, a maré que não está lá grande coisa. Todas essas citadas fazem parte de nosso rol de provação neste mundo. O que fazer? Desistir? Suicidar-se? Ora, jamais! Melhor treinar e aprender a ser “infeliz”. Sim, caro leitor, entenda que quando digo aprender a ser “infeliz” estou falando sobre treinar a viver neste mundo cheio de curvas sinuosas.

Levo uma pancada, levanto. Levo outra, caio, mas vou devagar me acertando, e assim vamos vivendo…

O espiritismo nesse particular desempenha papel fundamental ao mostrar que continuamos vivendo, apesar dos pesares, dos problemas e das dificuldades. Extingue-se o corpo, mas fica o espírito, agora em situação mais complicada em virtude do gesto de desespero.

Hebreus 11.1Lembro-me de um amigo orador espírita que foi intuído a modificar sua palestra da noite que realizaria em um determinado centro de nosso país. A tarde toda ficou com a palavra suicídio rondando sua mente. Ele não queria trocar o tema, mas a voz insistia ecoando em sua alma. Porém, de tanto que os Espíritos “cochicharam” em seus ouvidos que ele resolveu naquela noite mudar a programação e falar sobre o suicídio. Qual não foi sua surpresa quando uma mulher o abordou ao final da exposição dizendo que desesperada dirigia-se para uma ponte a fim de atirar-se quando teve enorme vontade de entrar no centro espírita. Para o espanto da mulher o orador falava sobre o suicídio. Ela nunca havia escutado nada parecido. As informações transmitidas pelo orador despertaram na mulher a “vontade de prosseguir”. Ele até então não havia compreendido a razão pela qual passou o dia todo com “alguém” soprando em seus ouvidos para mudar o tema da noite. Graças as suas informações aquela mulher não levou ao fim o seu objetivo. Séculos de tormento evitados por conta de uma simples, mas preciosa informação: A vida não acaba com a morte do corpo.

Outro ponto a refletir é a pressão social que recebemos para sermos felizes. Ah, quanta confusão isto causa na cabeça das pessoas.

Prega-se a felicidade a qualquer custo e não se ensina como lidar com frustrações tão comuns de um planeta em desenvolvimento como o nosso.

O resultado está ai para todos constatarem, uma sociedade infeliz pela busca insana e irracional pela felicidade. Parece um paradoxo, mas não é. O caminho para “exterminar o suicídio” não é esconder dados, deixar de falar ou pedir para que as pessoas sejam felizes na marra… Encarar de frente é o caminho. Penso que só assim deixaremos de ver todos os dias notícias tristes a mostrar que alguém não conseguiu suportar suas provações e desistiu de si mesmo. Posso dizer que é muito melhor um “infeliz” vivo do que alguém que buscou livrar-se dos seus problemas, mas está morto.

Mídia e sociedade podem fazer muito para ajudar neste flagelo denominado suicídio. Basta encarar de frente, informar as pessoas e mostrar que aqui temos, sim, problemas e estes servem para serem resolvidos. Uma boa dose de realidade vai colaborar com o mundo. Que tal?

www.wellingtonbalbo.blogspot.com

3 Comentários

  • Prezado Wellington,
    O texto é oportuno e penso que ,vez ou outra, todos nós que de alguma forma divulgamos a Doutrina Espírita, deveríamos voltar ao tema, pois também penso que o suicídio é uma das tragédias que dizimam milhares de pessoas por falta absoluta de compreensão sobre a realidade espiritual.
    Parabéns pelo texto.

  • Suicide – Ce que vous avez besoin de savoir

    O NEU-UERJ recebeu, no dia 15 de agosto, a amorável visita de Cláudia Bonmartin. Ofereceu-nos, com alegria, suas palavras de incentivo ao trabalho realizado.
    Deixou-nos a certeza da imperiosa necessidade da semeadura no bem, sempre confiando na fertilidade do terreno, mesmo que este possa se apresentar aparentemente difícil.
    Hoje sabemos que divulgar a Doutrina dos Espíritos, por todos os meios e modos lícitos disponíveis é prioridade.
    http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2014/04/no-terceiro-milenio-prioridade.html
    Um pouco do que nos ofereceu pode ser encontrado na WEB, em matéria do “Despertar Espírita”.
    Cláudia Bonmartin – O Espiritismo na França – Parte 1 e 2
    http://www.youtube.com/watch?v=UMZy5cHg9Sc
    http://www.youtube.com/watch?v=KYJYInKvvlk
    Tocou-nos profundamente a sua iniciativa de traduzir um livro sobre suicídio, como foi noticiado pelo O Consolador http://www.oconsolador.com.br/ano2/54/movimentoespiritanaeuropa.html
    Paris – A tarefeira espírita Claudia Bonmartin, brasileira que há anos vive em Paris, resolveu traduzir uma das obras de Richard Simonetti, muito conhecida no Brasil: “Suicídio – tudo o que você precisa saber”. De fácil leitura, trata do tema através do sistema de perguntas e respostas, sempre curtas e à luz do Espiritismo. Recém-lançada, a versão em francês do livro – intitulada “Suicide – Ce que vous avez besoin de savoir” – contou com o apoio do Centro de Estudos Espíritas Allan Kardec (Cesak), de Paris. A edição foi feita em caráter especial para o Salão do Livro de Paris, ocorrido em março. Ao todo foram impressos 300 exemplares. Contatos podem ser feitos pelo e-mail cesakparis@free.fr.
    Este é um tema hoje transparente na nossa universidade.
    http://www.aeradoespirito.net/ArtigosLCF/UNIVERSIDADE_E_SUICIDIO_LCF.html
    http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/09/sofrimento-psiquico-grave.html
    Claudia retornará aos trabalhos no Cesak, neste agosto/setembro. Deixará e levará saudades. Isso faz lembrar Lamartine Palhano Junior, Professor de Microbiologia, depois do doutorado voltando à UFES: “mourão junto não faz cerca”. Como foi bom que Claudia, em sonho e ainda muito jovem, tenha aceitado a “sugestão” de Divaldo P. Franco, para dirigir-se à Paris!

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