31 jul
2013

O Direito à Diferença

 http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2013/07/o-direito-diferenca.html

Carlos Brickmann escreveu que “Francisco falou de religião enquanto as autoridades tentavam conquistar eleitores. Mas, principalmente, ganhou o país por outro fator positivo: a tolerância. Enquanto fundamentalistas partiram para a grosseria e a intolerância (…) o papa tomou cafezinho com um pastor evangélico, conversou com dirigentes de várias religiões, monoteístas ou não, e admitiu que muitos católicos se afastaram da Igreja, porque ela não lhes dava assistência espiritual.

Há anos, é grande amigo de um rabino e com ele escreveu um livro sobre tolerância, convivência entre pessoas com crenças diferentes. O papa mostrou que discordar de um comportamento não significa discriminar pessoas. O Brasil preferiu a tolerância ao rancor.”(1)

Permitam-me revisitar a Carta Náutica do Núcleo Espírita Universitário publicada, na década anterior, na Revista Internacional de Espiritismo (2): nessa questão do aperfeiçoamento da prática sócio-afetiva enfatizamos que: Modelo e Guia, Jesus. “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem”. É a lição de que o progresso do conhecimento é estimulado pelo regime de diálogo franco e aberto. É convite à fraternidade, ao amor em ação, na aceitação da diversidade e no relacionamento pacífico entre os diferentes.

Tornando relativo o conhecimento humano, de modo geral, e, em particular, o das coisas espirituais, a lição nos faz suspeitar que a coexistência pacífica, proporcionada pela fraternidade autêntica, é o ambiente, favorável à produção intelectual e à tolerância das nossas diferenças, que podem ser exibidas sem conflitos, inibindo o autoritarismo, o fanatismo, o preconceito e a exclusão. Amai-vos e Instruí-vos indicou que o segundo verbo é adequado, quando apoiado pelo primeiro.

Afinal, em matéria religiosa, para que possamos desenvolver quaisquer convicções é necessário que haja a possibilidade de comunicação com outros e conseqüentemente ter acesso a diferentes pontos de vista. Num Estado de Direito, a liberdade religiosa só tem sentido em condições de reciprocidade e o direito de igualdade pressupõe o direito à diferença (3).

(1) http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/e-fascinacao-e-amor-por-carlos-brickmann/#more-806103

(2) Revista Internacional de Espiritismo, LXXVI (4): 181-182, 2001

http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2011/09/o-retrato-de-bezerra-e-aristocracia.html

http://www.recantodasletras.com.br/mensagensdeamor/1921186

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/neurj/retrato-de-bezerra.html

(3) http://www.geae.inf.br/pt/boletins/geae498.html#Alteridade

http://www.institutoandreluiz.org/ca_luis_carlos_formiga.html

2 Comentários

  • “Os meus discípulos serão conhecidos por muito se amarem” … esta ai a resposta pois por muito se amarem já faz a Diferença, e a vida é um colegiado de muitas lições e aprendizados. Não há necessidade de discutir o Direito quando o ato de Amor já responde por si mesmo.
    Muita paz a todos.

  • A evolução espiritual de todos nós é lenta e vamos conquistando aos poucos. De todos os mandamentos de Moises,Jesus fechou como um leque resumindo a dois,mas porque dois se o amor é um só e não se divide,pois não se pode amar a Deus sem amar o próximo,e nem amar o próximo sem amar a Deus.Com isso Jesus queria nos dizer o quanto estamos longe de compreender o que é o verdadeiro amor e estaríamos divididos entre Deus e nossos irmãos,porque muitos ainda só oram e louvam a Deus esquecendo dos seus irmãos. Abraços e muita paz.

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