FORMA E UBIQÜIDADE DOS ESPÍRITOS

Diante da questão: Os Espíritos têm forma determinada, limitada e constante? (…) os Espíritos Superiores, que lançaram as bases da Doutrina Espírita, respondem: (…) Para vós, não; para nós, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão, ou uma centelha etérea.
Em face de outra indagação, complementar à primeira, (…). Essa chama ou centelha tem cor? (…) esclarecem: (…) tem uma coloração que, para vós, vai do colorido escuro e opaco a uma cor brilhante, qual a do rubi, conforme o Espírito é mais ou menos puro. (…)

Observa-se, nas duas respostas, que os Espíritos procuram estabelecer uma comparação, embora pálida, do que existe no plano espiritual, quanto à forma e à cor dos Espíritos, com as limitações do nosso mundo físico e dos nossos sentidos. Fica claro que os Espíritos têm forma e cor, mas só por alto se pode comparar com a forma e a cor que estamos, como seres encarnados, acostumados a observar.
Gabriel Delanne, estudando a matéria, esclarece: (…) A Ciência ensina-nos que os nossos sentidos apenas nos fazem conhecer ínfima parte da natureza, porém que, além e aquém dos limites impostos às nossas sensações, existem vibrações sutis, em número infinito, que constituem modos de existência de que não podemos formar idéia, por falta de palavras para exprimi-la.
A alma assiste, pois, a espetáculos que não temos meios de descrever: ouve harmonias que nenhum ouvido humano tem apreciado, move-se em completa oposição às condições de viabilidade terrestre. O Espírito libertado das cadeias do corpo não tem mais necessidade de alimentar-se, não se arrasta mais pelo solo: a matéria imponderável de que é formado permite-lhe transportar-se para os mais longínquos lugares com a rapidez do relâmpago, e, segundo o grau do seu adiantamento moral, suas ocupações espirituais afastam-se mais ou menos das preocupações que nutria na Terra. (…)
Questionados sobre os Espíritos têm o dom da ubiqüidade, isto é, se um Espírito pode dividir-se, ou estar em muitos pontos ao mesmo tempo, os Orientadores Espirituais, que ditaram a Codificação, respondem: (…) Não pode haver divisão de um mesmo Espírito; mas, cada um é um centro que irradia para diversos lados. Isso é que faz parecer estar um Espírito em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol? É um somente. No entanto, irradia em todos os sentidos e leva muito longe os seus raios. Contudo, não se divide. (…)
Observa-se, dessa forma, que os Espíritos são indivisíveis, constituem uma unidade que não pode ser fracionada. Podem ser percebidos em mais de um lugar por efeito de seu poder de irradiação, poder esse que pode ser maior ou menor, dependendo (…) do grau de pureza de cada um. (…)
Isto nos permite compreender um fenômeno muitas vezes constatado, em que se registra a presença de Espíritos Superiores em diversos lugares ao mesmo tempo.
O fenômeno de ubiqüidade guarda, de uma certa forma, relação com o de bicorporeidade.
Sabe-se que (…) isolado do corpo, o Espírito de um vivo pode, como o de um morto, mostrar-se com todas as aparências da realidade. Demais, (…) pode adquirir momentânea tangibilidade. Este fenômeno, conhecido pelo nome de bicorporeidade, foi que deu azo às histórias de homens duplos, isto é, de indivíduos cuja presença simultânea em dois lugares diferentes se chegou a comprovar.
O fenômeno da bicorporeidade ocorre estando o Espírito encarnado. Uma pessoa encontrando-se adormecida, ou num estado mais ou menos extático, pode o seu Espírito, desligado do corpo, aparecer, falar e mesmo tornar-se tangível a outras pessoas. E, de fato, poder-se-á comprovar que estava em dois lugares ao mesmo tempo. Só que em um lugar estava o corpo físico, noutro o Espírito revestido pelo seu perispírito.
No fenômeno de ubiqüidade, como foi dito acima, o Espírito não se divide para estar em lugares diferentes. (…) irradia-se para diversos lados e pode assim manifestar-se em muitos pontos, sem se haver fracionado. Dá-se o que se dá com a luz, que pode refletir-se simultaneamente em muitos espelhos. (…)
É verdade que, quanto mais evoluído é o Espírito, maior é o seu poder de irradiação, mais potente é o seu dom de ubiqüidade.
De qualquer maneira parece-nos que tanto na bicorporeidade como na ubiqüidade, o perispírito desempenha um papel fundamental. É, pois, necessário maior conhecimento do corpo perispiritual.
Sobre este assunto, que estudamos no roteiro 11, reproduziremos uma pergunta feita ao Espírito André Luiz, no livro Evolução em dois Mundos, e a resposta do Espírito.
– Quais os mecanismos das alterações de cor, densidade, forma, locomoção e ubiqüidade do corpo espiritual?
– A pergunta está criteriosamente formulada; no entanto, para a ela responder com segurança precisaremos dispor, na Terra, de mais avançadas noções acerca da mecânica do pensamento.

1 Comentário

  • Mto bom! Apesar de já haver estudado por inúmeras vezes o LE, a cada dia absorvo novo aprendizado.
    A colocação de ubiquidade e bicorporeidade é fundamental, pq são fenômenos distintos, pois um ocorre qdo o espírito está liberto das amarras da matéria, e o outro, ao contrário: encarnado, o espírito adormecido visita mtos lugares e pessoas, ligado ao corpo físico pelo perispírito.
    Mta luz e paz a todos nós. Que o Pai nos cubra de bênçãos. Abç fraterno.

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