1 jul
2010

Ciúme: Vale a pena?


Fico dias e dias tentado bolar algo sobre o que escrever, até que uma situação desperta a vontade que tenho de usar a minha própria caneta.
Vocês que leêm o Atriomental e me conhecem, já se acostumaram ao meu jeito de me referir a vocês como ‘queridos corações’, ou ‘coração’, como faço também quando envio alguma postagem por e-mail, sempre com alguma mensagem , pois não gosto de apenas repassar e-mails. Ou escrevo e repasso com algo escrito demonstrando meu carinho e consideração, ou não escrevo.
Foi assim que no dia de hoje levei um susto daqueles quando abri um e-mail cheio de palavras descaridosas de uma pessoa ciumenta, que leu o e-mail que eu enviei ao companheiro ou esposo (nada sei sobre a vida pessoal de tal pessoa, inclusive).
A primeira reação: a descrença! Será que este e-mail não veio por engano? Depois de um tempinho ‘processando mentalmente’ o ocorrido, respondi com um e-mail me desculpando pelo equívoco. Sim, me desculpando! ´
É certo que não tive nenhuma intenção em provocar ciúmes, mas nada mais correto que minimizar todos e quaisquer efeitos do mal entendido.
Depois passei a refletir sobre este sentimento tão devastador na vida das pessoas, que causa infelicidade e amargura aos corações: o ciúme!
Há quem defenda que o ciúme é essencial para temperar o amor. Que amargo tempero, eu digo! O ciúme é uma chaga aberta no coração, o centro dos sentimentos, chaga que sangra e exaure em sofrimentos injustificáveis o ciumento e o alvo do ciúme. A pessoa ciumenta despende tempo sagrado que poderia ser aplicado na abençoada convivência familiar.
Não apenas o ciúme de outrem, mas o apego às coisas materiais escraviza ainda milhões de almas humanas. Em minha última aula no COEM, a fantástica palestrante, a senhora Lucile Batagelo, falava a respeito de nosso apego às coisas e citou que chegamos até mesmo a ter ciúme de ‘receitas de bolo’ e, por incrível que pareça, isto é verdade. (A propósito, acesse o link a seguir e ouça Lucile numa primorosa explanação contida no site ‘A voz do Espiritismo’ CLIQUE AQUI). Quanto tempo precioso gastamos com estas quizilas? Coisas tão pequenas que se avolumam em nossos pensamentos doentios e levam à consequências das mais funestas?
Não é à toa que eu amo tanto os livros de Divaldo Pereira Franco, ditados pelas maravilhosa Joanna de Ângelis, os quais já citei diversas vezes aqui no blogue. Joanna de Ângelis ditou para Divaldo maravilhosos livros da ‘série psicológica’ e, no livro ‘Amor Imbatível Amor’, que nos ensina o que é o amor verdadeiro e quais suas faces doentias, aborda o assunto em seu capítulo 47, denominado ‘Suspeitas Infundadas’, o qual peço permissão para recortar e colar ‘ipsis literis’, pois a minha interpretação empobreceria o texto: ‘O indivíduo, assinalado por consciência de culpa decorrente dos atos passados, que não soube ou não os quis regularizar quando do périplo carnal, renasce possuído por conflitos que procura ocultar, não conseguindo superá-los no mundo íntimo. Assim sendo, projeta no comportamento suspeitas infundadas em relação às pessoas com quem convive, sempre temendo ser identificado pelos erros, desmascarado e trazido à realidade da reparação. Essa conduta aflige e corrói os valores morais, trabalhando-o de maneira
negativa e perturbadora, de tal forma que o torna arredio, agressivo e infeliz, levando-o, não poucas vezes, a situações vexatórias, neuróticas, por encontrar inimigos hipotéticos em toda parte, assim experimentando o fardo da culpa, que o anatematiza e procura manter oculta. Toda vez que se encontra no grupo social, e duas ou mais pessoas
dialogam, sorriem ou se tornam austeras, logo lhe surge a idéia infeliz, a suspeita tormentosa, de que se referem à sua pessoa, que comentam negativamente o seu comportamento, ou invejosas, inferiores, comprazem-se
em persegui-lo e malsinar as suas horas (…) (…) Nesse contubérnio de inquietação, mentes desassociadas do corpo, que deambulam no Mundo Causal, utilizam-se do conflito e passam a obsidiar o paciente, enviando-lhe mensagens telepáticas mais infelizes, que se tornam uma forma de autopensamento, tão freqüentes e contínuas se lhes fazem, que dão surgimento a processos alienantes muito graves e de conseqüências imprevisíveis’. (…). Na esteira, queridos corações (agora estou até com medo de chamar meus amigos assim!), podemos ver que o ciúme é nada mais que a exteriorização de um ego exacerbado mas com baixa auto-estima ou de reações de comportamentos experimentados em outras vidas, com reflexos no psiquismo da atual encarnação. Os pensamentos doentios formam uma psicosfera que atrai imediatamente irmãos desencarnados infelizes, criando assim um pernicioso conúbio e fazendo até que se instalem perigosas obsessões, levando muitas famílias à completa derrocada. O remédio indicado por Joanna, além da psicoterapia adequada: doses excessivas e cavalares do Evangelho de Jesus!
Quando li o que me foi escrito, me entristeci não pelo que foi dito a meu respeito, já que posso sim ter agido mal para com famílias e corações em outra encarnação ou encarnações, mas porque há uma mente, como milhões, sofrendo sem nenhum motivo! Termino aqui meu texto, feliz porque tirei de uma situação difícil e equivocada mais uma lição e peço que todos que o lêem emanem vibrações de amor e paz para aquela mente ciumenta, vítima de si mesma.
Dani.

1 Comentário

  • Dani , li seu texto e gostei muito. Também me foi muito util a citação de Joana de Angelis.
    Sofro muito em meus relacionamentos com esse problema terrivel que é o ciume. Já fui alvo deste sentimento , mas mais de uma vez sou eu a ciumenta. Sofro pois não quero ser assim, sei o quanto me atrapalha, mas as mudanças são muito dificeis.
    Pelo menos hoje em dia consigo ver que tenho esse problema e tento correr atrás pra desfazer os erros causados pelos ciumes. Busco muitas vezes no espiritismo as respostas para essas situações vividas por mim. Foi por isso que vim em busca do seu texto. Obrigada!

Então, O que achou?