20 abr
2010

Antídoto para o voto de cabresto



 

Wellington Balbo – Bauru – SP.

 

Em um passado nem tão remoto em épocas eleitorais de nosso Brasil via-se a figura lamentável dos coronéis, fazendeiros de grande poder econômico que utilizavam sua força e poder para coagir o eleitorado a votar em determinado candidato.

 

Capangas usavam e abusavam da violência e tratavam de garantir que ninguém fraudaria a vontade dos poderosos. Esta prática recebia a alcunha de voto de cabresto.

 

No entanto, é inegável que a evolução das idéias humanas quebrou inúmeros absurdos do passado, mas como todo processo evolutivo é lento e responde a moralização dos cidadãos, o voto de cabresto ainda existe, embora em outra roupagem, mais light, sem violência física e sem capangas por perto.

 

O voto de cabresto hoje se faz de maneira psicológica, atuando junto às necessidades básicas do eleitor. Um bolsa isso, um auxílio aquilo, uma cesta básica, uma promessa… Olha, não vote em tal candidato, o benefício poderá ser cortado. Pense bem antes de votar, o candidato do partido A é da oposição, deixe-o de lado, senão…

 

Sim, não há mais o coroné, mas há o engravatado que semeia o medo, a desesperança e limita o raciocínio do cidadão. Desapareceu o capanga, mas surgiu o cabo eleitoral participando ativamente da campanha, abraçando os necessitados, visitando lares menos abastados, acariciando crianças, mostrando a imagem e figura da simpatia; uma simpatia de fachada que conquista as carentes mães da periferia. O cabresto hoje é feito de promessas vazias e evasivas, sem compromisso com a sinceridade e sem qualquer envolvimento com o bem coletivo.

 

Um cabresto que não desfere pontapés, mas alimenta a ignorância.

 

Um cabresto que uiva silencioso e pisoteia nas agruras humanas.

 

Quando será que desaparecerá o cabresto? Difícil saber, porquanto o cidadão comum também atua no seio da sociedade alimentando essa nefasta tendência de manipulação do poder.

 

É o empresário que pensa somente em seus lucros esquecendo-se dos funcionários. São os funcionários que lesam a empresa “enrolando” no serviço, passando minutos ou horas a fio envolvidos com as maravilhas da internet. São as pessoas que agem como se o mundo fosse dos espertos desrespeitando os mais elementares direitos do semelhante. Em realidade o cabresto começa em nós mesmos. Os governantes apenas manifestam as tendências de nossa sociedade. Se somos desonestos, eles também serão. Por isso o cabresto começa no fura fila, no troco a mais não devolvido, no produto comercializado acima do preço justo. “Veja que pechincha!!! Está barato!!!! Aproveite! E há vendedores orgulhosos com seu desempenho, gabando-se: “Fiz ótimo negócio, empurrei por alto preço esta mercadoria encalhada há anos”.

 

Sim, é o cabresto manifestando-se por intermédio do verbo; enganando, ferindo direitos, prejudicando o outro…

 

Um cabresto bem vestido, um cabresto de terno e gravata, sorridente e simpático. Ah, os coronéis não se foram, o cabresto não se foi.

 

Todavia, o Espiritismo tem o antídoto para a eliminação do voto de cabresto moderno: A educação da criatura humana pelo conhecimento redentor do Evangelho.

 

E o conhecimento evangélico é uma convocação ao trabalho e à renovação. Nada de facilidades e presentes enganadores. O conhecimento evangélico convoca ao trabalho libertador da consciência pelas vias da reflexão. Afirmava Jesus em sua sabedoria insofismável: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Para encontrar a verdade é imperioso caminhar pelas trilhas do mestre de Nazaré. E para caminhar pelas trilhas que Jesus ensinou é necessário trabalhar pela renovação íntima que possibilitará o encontro com a vida em plenitude.

 

Em uma sociedade educada nos ideais cristãos inexistirá voto de cabresto, seja pela violência, seja pela enganosa simpatia coletora de votos.

 

 

Longe da violência dos coronéis do passado e incompatível com a ilusão do presente, a educação evangélica configura-se no remédio eficaz para a solução das doenças ainda impregnadas na sociedade. O voto de cabresto é uma delas, podem acreditar.



Então, O que achou?