10 dez
2010

Caridade sem prazo de validade

Wellington Balbo

Wellington Balbo, grande amigo, escritor, articulista e palestrante residente na cidade de Bauru, SP. Wellington é vinculado ao Centro Espírita Joana D’arc, participa de programa espírita no Rádio e é 2º. Secretário da USE Intermunicipal de Bauru.


Para nós brasileiros a época natalina é sempre repleta de solidariedade. Em dezembro a mensagem de Jesus sensibiliza inúmeras pessoas que, quase sempre, mobilizam-se para levar um pouco de alegria aos menos favorecidos economicamente. Brinquedos comprados, cestas básicas distribuídas, visitas a idosos e crianças. Ah, quanta generosidade dos corações que se empenham para diminuir mesmo que palidamente a absurda desigualdade que reina em nosso país.

Porém, não obstante a solidariedade de fim de ano, e sem querer, obviamente, desmerecê-la, é imperioso admitir que o ano é composto por 12 meses e não apenas dezembro. Enfim, todos os favorecidos pela generosidade natalina têm necessidades a serem supridas no decorrer do tempo.

Podemos, portanto, estender nossas boas atitudes para todos os meses do ano, fazendo um elástico de caridade. Quanto mais puxamos o elástico da caridade mais tempo ele beneficia aos outros e, principalmente, a nós mesmos.

São infindáveis instituições espalhadas pela cidade que necessitam do nosso talento para que continuem o seu trabalho em benefício do outro. Engajarmo-nos em trabalho voluntário é transpor a barreira da caridade sazonal para a caridade permanente.

E a caridade permanente faz a diferença!

Com a caridade permanente tomaremos contato mais estreito com a realidade do outro, suas limitações e necessidades e, ao estar a par do universo do outro poderemos, então, utilizar uma forma de caridade extremamente eficaz: transferência de conhecimento.

Sim, cientes das limitações e necessidades dos outros poderemos atendê-los de forma eficaz, transferindo nosso conhecimento. É algo simples, acessível a qualquer um que tenha boa vontade.

Transferir conhecimento significa ensinar o que sabemos fazer, ou seja, passar adiante as nossas habilidades. Se sei cortar cabelo irei oferecer a alguma instituição essa minha habilidade para que outros aprendam e beneficiem-se dela. Se sei pintar irei transferir esse meu conhecimento ao outro para que ele saiba também.

Eis que são saltos gradativos: da caridade sazonal para a caridade permanente e desta para a transferência de conhecimento.

Indubitavelmente de caridade em caridade chegaremos a um patamar que não mais distribuiremos cestas básicas, roupas, alimentos e brinquedos por um simples motivo: todos terão o necessário para uma existência digna.

Todos terão suas necessidades supridas, pois estaremos conscientes de que o mais elementar dos deveres é estender a mão ao próximo no objetivo de auxiliar-lhe a encontrar o caminho da felicidade.

Que tal, portanto, abolirmos a partir de já o prazo de validade da caridade, estendendo as boas ações de dezembro para janeiro, fevereiro, março, abril…

Então, O que achou?