12 maio
2011

Mensagem do homem triste

Texto enviado por nossa amiga e leitora Rita.

Passastes por mim com simpatia, mas quando me vistes os olhos parados, indagastes em silêncio porque vagueio na rua.

Talvez por isso estugastes [apressar] o passo e,embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca.

É possível tenhas suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina… Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade, e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.

Não sei se notastes quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrine, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse um vulgar malfeitor…crê, porém, que nem de leve me passou pela mente a idéia do furto; apenas admirava os belos bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.

Ignoro se observastes as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse encostado no poste; afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhes que não como qualquer alimento há três dias…

A ti, porém, que me fitastes sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.

Memei/F.C.Xavier.

Do livro: Ideal Espírita.

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