27 abr
2011

Troncos

Marcus Braga

Guará II, Distrito Federal (Brasil) 

Da minha residência para o trabalho percorro diariamente o famoso “Eixão Sul” da Capital Federal, uma reta de 8 km banhada pelo céu de Brasília. Nessas manhãs secas e primaveris, observo as frondosas árvores à beira da estrada. Suas copas, desfolhadas, lembram uma grande raiz, espraiada pela atmosfera para absorver dali o oxigênio que lhes é necessário.  

Foto: Internet

Da mesma maneira, sem me descuidar da direção, imagino a grande raiz que sustenta aquele ser. Espraiada pelo solo, além de garantir o equilíbrio físico à árvore, permite buscar os nutrientes do solo e a água infiltrada das chuvas. Atento aos limites de velocidade, vejo que entre essas duas antenas, copas e raízes, a absorver de cada ambiente o seu alimento, figura o tronco, como síntese robusta desse ser híbrido, com o pé no chão e os braços no ar. Nascidos de uma pequena semente no solo, caída do céu.  

 

 

Mesmo dirigindo, é impossível não pensar como essas árvores se assemelham aos Espíritos encarnados na Terra. Sínteses de contradições que vivem no plano material e dele necessitam tirar suas necessidades, mas que pela sua natureza híbrida demandam bênçãos celestes do plano espiritual, em eterno intercâmbio. Nascidos de uma semente vinda da espiritualidade, que floresce na terra do mundo corpóreo, como troncos, os Espíritos encarnados aglutinam essa vivência, entre a Terra e o céu, um pouco cá, um pouco lá. Como as árvores à beira do caminho, possuem grandes instrumentos de captação, na copa e nas raízes. Tudo é necessário: O sol e o oxigênio, a água e os sais minerais. Como troncos robustos seguem os Espíritos.  

Foto: Internet

O “Eixão Sul” já está chegando ao fim. Já diminuem as árvores e aumentam os prédios, lotados de pessoas-troncos, na luta cotidiana, muitas vezes esquecendo suas folhas e flores, detidos apenas nas suas raízes, ignorando as oportunidades de fazer sínteses. Apesar de Jesus, o sol que brilha em nossa vida e de tantas outras estrelas que foram ofertadas à vida da humanidade, apesar do vento que beija as nossas folhas, das aves e insetos que auxiliam a nossa polinização, com medo dos destinos do vento, nos prendemos às raízes, firmes no solo. Não somos só raízes, não somos só copa. Fica a lembrança da frase “viver no mundo sem ser do mundo”, ou seja, ser tronco…   

 

Acabou-se o Eixão, viro para a Esplanada dos Ministérios. Vou cuidar das raízes, mas não posso esquecer-me da copa frondosa, de ser um tronco forte, nos moirões da humanidade. Não posso me esquecer de gerar flores e sementes, para no solo florescer novamente a vida. Assim nos quis o Senhor da vida, crescentes e híbridos, amando e evoluindo. Sínteses de luz…

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